domingo, 28 de setembro de 2008

Bonitinho, mas ordinário

Você compra um bem durável e oito dias depois ele se deteriora. Demonstra que de durável não tem nada e você fica sem entender. Recorre a loja e, no mínimo, deseja fazer uma troca do produto. Escuta não, não é assim... deixe aqui para uma avaliação técnica, mas rápida, algo que deve durar em torno de 30 dias... Foi o que ouvi na sapataria Juliana Beltrão, ao lado da Praça da Jaqueira, no Recife. Chamam de avaliação rápida o prazo de 30 dias, para um produto que você comprou para usar na hora. Se vocês observarem as imagens postadas aqui (estou com dificuldade de baixar as fotos, mas assim que conseguir estarão disponíveis) vão perceber que não foi um só pé, o descascado do forro externo é visível nos dois.

Pois bem, a proprietária da loja ainda perguntou se nos tapetes do meu carro não havia areia para arranhar e arrancar (isso mesmo: arrancar) o forro externo dos sapatos... Risível não? Mesquinheza, miopia, qualquer coisa que o valha. Postura tacanha de uma empresária que se valendo da justificativa de que o problema é do seu fornecedor (como se o cliente comprasse direto a fabrica) “pisa na bola” e perde em credibilidade, confiança e respeito ao se valer da velha máxima de levar vantagem em tudo.

Mas faço a crítica a mim mesma e digo que boba fui eu que ao comprar o produto na respectiva loja precisei pedir a nota fiscal quando já tinha ouvido um “muito obrigado, volte sempre”. Boba porque fiz questão da nota, esperei a proprietária então emitir e, agora, justo agora, não acho a tal prova do negócio feito para correr atrás do meu prejuízo juridicamente. Essa é uma das lições do episódio. Peça não só a nota fiscal e garanta que empresários com cara de bonzinhos e bem educados paguem seus impostos como qualquer mortal, cumpram com os seus deveres. Peça a nota e trate de guardá-la para não correr o risco do dito popular “Inês é morta”.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Roteiro e interpretação fazem a diferença


Conferir “Linha de Passe”, o mais novo filme do Walter Salles e Daniela Thomas é uma boa idéia para quem deseja começar a semana já com espaço na agenda para uma visita ao cinema. Não tanto pelo conteúdo do filme em si, que trata de temas cotidianos como a dificuldade da mãe solteira, de baixa renda, criar seus filhos. Ou do jovem que sonha jogar futebol num grande clube e do garoto que, incansavelmente, busca a identidade do pai. O filme vale muito mais pelo roteiro tão bem amarrado que não cansa nem exagera no tempo e no espaço e é simples, objetivo, e claro. Vale ainda mais pelos atores, como a Sandra Corveloni, prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por este filme, e em especial por Kaique de Jesus, no papel do garoto decidido a encontrar o tal pai que nunca conhecera na vida.